O que há de Errado? (Parte 1)

Voltei a escrever para tratar de algo muito importante que você precisa entender se quiser dominar sua autoconfiança.

Esse mês eu estive na festa de uma amiga num hotel aqui no Rio onde as celebridades se hospedam. Nesse evento eu reencontrei o meu brother Pedro. Ele é dançarino, super gente boa, vem de origem humilde e nós trabalhamos juntos muitas vezes quando eu fotografava frestas.

Ele não é o tipo de cara que você costuma ver num hotel 5 estrelas (nem eu, pra falar a verdade). Mas ele também era amigo de longa data da aniversariante, e nós estávamos nos divertindo relembrando velhas histórias e tirando sarro dos “petiscos” do hotel.

Até que uma ruiva incrivelmente bonita entrou no salão do bar. Pedro ficou maluco!

Como eu, ele tem uma certa predileção por loiras, mas essa ruiva era um absurdo: Rosto bem alinhado, um sorriso de capa de revista, um corpo que com certeza foi trabalhado por anos nas melhores academias e um vestido curto sem exagero, justo na medida certa e dourado. Um espetáculo.

O Pedrão provavelmente nunca tinha ficado tão vidrado numa mulher antes. Começou a suar frio e falar de cada detalhe no corpo, no rosto e até no vestido dela. “Meu Deus, que mulher!”.

Sugeri que fosse falar com ela e quando botei a mão no ombro dele, eu senti aquela tensão. A mesma que já senti nos ombros de vários alunos dos nossos workshops, que já vi espalhar na voz trêmula, nas ações sem decisão e no ar desesperado de vários homens. Uma sensação que eu conheço bem, porque fui refém dela por muitos anos e até hoje, mesmo sendo muito mais extrovertido, trabalho pra que essa tensão não me abale.

Pedro não se sentia digno dela.

Lembra que até a moça chegar ele estava bem, curtindo a festa e se divertindo às custas dos “figurões” que entupiam o salão do hotel, sem se importar com o nível social ou com o fato de aquele lugar não ser o território dele? Pois é, quando essa menina entrou na festa, começaram imediatamente a surgir na cabeça dele dele pensamentos de inferioridade, de não merecer, de não ser capaz de “competir com esses caras cheios de grana e poder”. Você já sentiu isso?

Pois quando eu comecei a mudar minha cabeça, lá atrás em 2010, senti a mesma coisa. Bem no início eu ia nessas festas de alto padrão na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro. Pegava uma van pra passar uma hora cruzando o alto da Boa Vista pra depois chegar a pé nas boates, enquanto outros caras chegavam descendo de suas Pajero e Nissan Sentra. E assim como no caso do Pedro isso não me abalava enquanto eu não visse uma garota que me interessasse.

No segundo que o valor entra em jogo, assim que você vê algo ou alguém que quer, seu cérebro pára de pensar no processo e começa a colocar toda a pressão em si mesmo. Ou seja, em você.

Já percebeu qual é a dinâmica quando uma garota feia trata mal um cara? “Putz, que mal amada, que chata, deve ser porque é feia.”

Mas se a moça é bonita, P*** que pariu o que eu fiz de errado? Qual é o meu problema? Porque eu sou tão idiota?

(E a mesma coisa acontece quando é o contrário também, costumamos ficar orgulhosos e cheios de nós quando fazemos algo de valor que dá certo. “Tá vendo? EU que fiz!”)

É muito importante que a gente aprenda a parar de se identificar com o processo e os resultados, bons ou ruins principalmente se eles não aconteceram ainda.

Mas eu estava lá, e não ia deixar meu amigo desistir sem tentar.

Pra não escrever um post monstruoso, vou contar o resto dessa história em breve, mas quero saber sua opinião: Isso já aconteceu com você? E como você saiu de uma situação dessas?

(E não, a ruiva não é essa da foto.  A imagem é do Peter McConnochie, e eu estou usando ela com base na licensa Creative Commons – Atribuition – Non Derivatives do Flickr.)

About The Author

João Victor Pinheiro

Sócio Fundador e C.E.O. da Titan Wings, João Victor é um grande entusiasta da Simpleologia e do Mentoring como formas de transformar objetivos em realidade e um Expert na Sociabilidade.

3 Comments

  • Gabriel F.

    Reply Reply outubro 1, 2014

    Já passei por isso, incontável o número de vezes. Realmente parece ser intrínseco sentir isso quando observo uma mulher que realmente faça o meu tipo, meiga, radiante e obviamente linda. Pois bem, sempre tento contornar esse “estado de matéria”, mas depois de inumeros arrependimentos decidi NUNCA voltar para casa sem ao menos tentar. Por um lado é bom pois não fico pensando no que poderia ter ocorrido, mas no que ocorreu, e repentinamente, sempre ocorre a mesma coisa. Observo, fico tenso, penso em como vou ir abordar ela, abordo ela extremamente tenso, e boom, game over. Eu sei que o que mais me prejudica é essa tensão, pois meu jogo todo fica prejudicado com ela. O problema é como mandar ela embora !

    • João Victor Pinheiro

      João Victor Pinheiro

      Reply Reply outubro 7, 2014

      NUNCA volte pra casa sem tentar, essa é uma boa filosofia, Gabriel! Obrigado por compartilhar com a gente. Acredito que no seu caso seja preciso mesmo um pouco mais de tranquilidade para abordar e fazer oque é o seu papel como homem. Recomendo dar uma lida na segunda parte desse artigo, que já saiu: http://titanwings.com/o-que-ha-de-errado-parte-2/

  • Fernando Eduardo de Brito Ferreira

    Reply Reply Fevereiro 22, 2015

    Cara… Ontem fui em uma casa latina aqui em SP na vila olímpia e vou te falar… Esse negócio eh bem complicado, ter essa confiança de que você é merecedor destas garotas bonitas demora um pouco… Mas como Td, a prática leva à perfeição..

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