Quando é hora de “Pegar Leve”?

Esses dias eu me lembrei de uma história que começou no Tinder. Loirinha, gatinha, morava na Tijuca, perto de mim. Como sempre fazia quando usava o programa, puxei a interação para o WhatsApp o mais rápido possível – e um dia explico como essa tática me conseguia um novo telefone por dia durante quase dois meses.
Por algum motivo ela curtiu muito minha voz, e eu também gostei da conversa da garota. Marcamos depois de algumas tentativas na Praça Vanhargem, numa noite de domingo.
Acontece que duas coisas fadaram aquele encontro a ser uma das minha experiências mais estranhas com o Tinder.

Primeiro, o horário que marcamos era logo após um treinamento ao vivo que fiz no Rio de Janeiro com dois alunos. Eles insistiram que não poderiam sair domingo à noite, então dei o meu melhor durante o fim de semana para que eles realmente passassem por uma transformação. Eu estava super animado com os resultados e saí do workshop, como dizem por aí, “pegando fogo”.
Segundo, eu não era o único cara com quem a mocinha marcou. Nem o único cara que ela conheceu no Tinder.

Fui o último dos 5 a chegar no lugar combinado e já me apresentei a todo mundo. Éramos a Mocinha, uma amiga que parecia a Sasha Grey e que por isso vou chamar de Sasha, um amigo – que vai continuar sendo chamado assim – e um cara que a mocinha tinha conhecido no Tinder, e com quem ela também tinha marcado. Vou chamar ele de Tim, para efeito cômico.
Se fosse há alguns anos atrás, eu teria ficado possesso. Hoje em dia me divirto com essas situações em que eu sou colocado para “competir” por alguém. É uma ótima oportunidade de mostrar que não estou nem aí, experimentar as ideias mais loucas e quem sabe até conseguir novos alunos pra Titan.
Assim que entendi o que estava acontecendo, comecei a dar em cima da Sasha de brincadeira. Fiz da mesa um teatro em que eu me casava com ela, a mocinha e o amigo eram o casal de padrinhos e que ela estava chifrando ele com o Tim. Quando comecei a estudar sociabilidade, ouvi diversas vezes que as mulheres adoravam esses joguinhos, mas eu queria testar todas as possibilidade que aquela rara oportunidade me proporcionava, testando os limites do que é bom ou mau.

Mais do que isso, às dez da noite eu descobri que O Tim estava lá porque a Mocinha queria apresentar alguém para a Sasha. O problema é que ele não sabia disso. E eu tenho um problema com garotas que deixam os meninos no escuro.
Antes das onze eu já tinha “divorciado” da Sasha, jogado ela pra cima do Tim, começado um romance gay com o Amigo e colocado a mocinha na posição de “separada que virou tia”. Tudo, claro, de fingimento, apesar de eu dar vários toques no Tim de que a Sasha era a pessoa que queria mesmo conhecer ele, algo que preocupou as duas meninas. No ponto alto da noite, levantei e fui em outra mesa, chamando os caras que conhecia para apresentar “essa mocinha que eu conheço e precisa de um namorado.” Arrumei três supostos encontros pra ela, e peguei o telefone de uma morena muito mais bonita na frente de todo mundo, marcando pra vê-la na terça feira seguinte.
Aquele encontro já estava totalmente com jeito de chopp aguado quando eu mudei de ideia.
“Bem até que ela é gatinha, vale à pena tentar.”
Mas eu já tinha feito tanta farra, já tinha bagunçado tanto a cabeça de todo mundo na vontade de fazer com que as pessoas rissem e aproveitar para dar uma lição na Mocinha, que já não existia mais clima para ninguém ficar com ninguém.
Tentei rapidamente uma aproximação numa área mais tranquila do estabelecimento, onde só estávamso eu e a mocinha. Dava para perceber que não ia rolar: ela tinha vontade, mas eu tinha confundido demais as coisas com minha energia exagerada. Me despedi de todos, saí do bar com o telefone da morena gata que conheci na outra mesa – e com quem saí na terça – e mandei uma mensagem rápida para a Mocinha:
“Espero que ninguém faça com você o que você fez com o Tim. Não é legal deixar as pessoas no escuro.”
Ela me pediu desculpas depois, e eu assumi que fui um babaca de propósito naquela noite. Me lembrei de todas as noites em que entrei com muita energia nos grupos e estava realmente querendo a garota, de todas as vezes em que parecia um palhaço ou assustava com a minha energia abundante mas descalibrada. Como há muito tempo eu não fazia mais isso nas interações que importavam pra mim, não entendia porque dava tão errado, qual era o ponto em que eu estava exagerando.
Realmente eu aprendi muito naquela noite.

P.S: Me cobra mesmo essa parada do Tinder. Quando conheci os caras mais players desse aplicativo no Rio de Janeiro, descobri que eles faziam exatamente a mesma coisa!

About The Author

João Victor Pinheiro

Sócio Fundador e C.E.O. da Titan Wings, João Victor é um grande entusiasta da Simpleologia e do Mentoring como formas de transformar objetivos em realidade e um Expert na Sociabilidade.

1 Comment

  • jord washgton

    Reply Reply outubro 7, 2014

    Ahh e muito bom ver que todos nós erramos hahaha , recentemente eu estava cometendo um erro muito grande de “ignorar” o alvo no começo da festa e deixar para falar com ele só no final , isso atrapalha muito pois eu pude ver que as mulheres odeiam serem ignoradas , assim aumenta muito a resistência delas. As vezes temos que pegar leve para conseguir o close hahaha abraço

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